Budapeste | Março 2015 [Parte II]

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Parece já tão longe, mas ainda assim olho hoje, de novo, para Budapeste. Em geral foi uma boa surpresa e uma cidade que adorei desde que lhe pus a vista em cima: a luz, as pessoas e o saber viver foram das coisas que mais me agradaram na Paris do Leste.

Dormir:

Budapeste é, em geral, bastante barato (principalmente quando comparado com a Suíça). Por um pouco mais do que pagamos aqui por uma noite num hotel mediano, pode-se ficar um par de dias no Buddha-Bar Hotel Budapest.  Está localizado no meio da Vaci utca, a maior rua comercial de Budapeste, o que quer dizer que se chega facilmente a qualquer lado, andando ou apanhando transportes públicos.

Comer:

Pequeno almoço no Alibi Café, almoço no Mercado Central (a melhor escolha para experimentar a comida local. No primeiro andar há várias bancas com comida para escolher, e no andar térreo há um dos melhores strudels que já comi), lanche no Budavar Ruszwurm Cukraszda e jantar no Tokio (não podia faltar sushi…).

Visitar:

Há paragens obrigatórias na cidade: a homenagem sapatos no Danúbio, o Parlamento e um dos vários banhos públicos (fomos experimentar os mais clássicos – Gellért).

Não há como escapar à maravilhosa colina do castelo, em Buda, onde podemos chegar através de um funicular, e às pequenas ruas da cidade velha. Pest é mais moderna, mas cheia de museus. E bom, bom é ver, tanto Buda como Pest, do Danúbio. Há vários barcos a fazer os passeios, e suspeito que as diferenças não serão muitas entre eles, portanto é mesmo uma questão de entrar num barco e deixar o tempo passar.

Depois há coisas mais estranhas, como o Memento Park, um pouco fora da cidade, onde estão expostas algumas das estátuas mais interessantes da era Comunista, que antes estavam espalhadas pela capital da Hungria.

Podemos dizer que há mesmo algo para todos os gostos em Budapeste. Da minha parte, fica-me a cidade das pontes, a vida virada para o rio e o cheiro a bolos frescos vindo dos cafés.

Budapeste | Março 2015 [Parte II]

Março foi assim.

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Já vamos a seis dias de Abril, quando finalmente consigo olhar para trás e tentar apreender tudo o que foi Março por estes lados. Março foi um mês calmo e cheio de mudanças de ritmo de vida, actividade e alimentação. Um mês de mais investigação sobre o Japão e de muito sushi. O mês em que, pela primeira vez, consegui partir um telemóvel deixando-o cair na rua. Acabámos o mês Budapeste, numa pequena pausa no trabalho, com os olhos postos num fim de semana grande, no início de Abril.

Leituras: Why Marx was right – um livro que analisa algumas das críticas mais comuns ao Marxismo. É um livro interessante, mas não original, que pode parecer demasiado superficial de vez em quando. Cidades invisíveis – Este livro andava em lista de espera há anos e, ainda assim, não tenho a certeza que tenha escolhido o momento certo para o ler. Houve momentos em que o livro me disse muito, e houve outros em que me deixou completamente perdida. Budapeste – Desde o ano passado que tento adaptar as minhas leituras (ou pelo menos algumas) ao meu contexto. Voltei à carga com Budapeste do Chico Buarque e, pela primeira vez, fiquei um pouco desiludida. Não gostei particularmente da história, apesar de admitir que está bem escrito, e não consegui criar nenhuma empatia com as personagens (nem com as cidades cenário).

Filmes:  Still Alice – Já há algum tempo que não chorava tanto com um filme. E não foi um choro porque o filme seja lamechas, mas pela tragédia que é a doença de Alzheimer. Citizenfour – documentário sobre as semanas atribuladas de Edward Snowden, quando o Guardian começou a publicar a informação classificada fornecida por ele. Spirited Away – continuando na nossa saga japonesa, um dos filmes de animação do Miyazaki.

Março foi assim.

Leituras e viagens

Antes de voltar às minhas leituras contextuais, dediquei-me às Cidades Invisíveis e tirei de lá algumas notas.

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At this point Kublai Khan interrupted him or imagined interrupting him, or Marco Polo imagined himself interrupted, with a question such as: “you advance always with your head turned back?” or “is what you see always behind you?” or rather , “does your journey take place only in the past?”. All this so that Marco Polo could explain or imagine explaining or be imagined explaining or succeed finally in explaining to himself that what he sought was always something lying ahead, and even if it was a matter of the past it was a past that changed gradually as he advanced on his journey, because the traveler’s past changes according to the route he has followed (…). Marco enters a city: he sees someone in a square living a life or an instant that could be his; he could now be in that man’s place, if he had stopped in time, long ago; or if, long ago, at a crossroad, instead of taking one road he had taken the opposite one, and after long wandering he had come to be in the place of that man in that square. 

I thought: “you reach a moment in life when, among the people you have known, the dead outnumber the living. And the mind refuses to accept more faces, more expressions: on every new face you encounter, it prints old forms, for each one it finds the most suitable mask.

Marco polo describes a bridge, stone by stone. “But which is the stone that supports the bridge?” Kublai Khan asks. “The bridge is not supported by one stone or another” Marco answers, “but by the line of the arch they form”. Kublai Khan remains silent, reflecting. Then he adds: “Why do you speak to me of the stones? It is only the arch that matters to me.” Polo answers: “Without stones there is no arch”.

“I speak and speak”, Marco says “but the listener retains only the words he is expecting. The description of the world to which you lend a benevolent ear is one thing; the description that will go the rounds of the groups of stevedores and gondoliers on the street outside my house the day of my return is another (…) It is not the voice that commands the story: it is the ear.

And Polo said: “The inferno of the living is not something that will be; if there is one, it is what is already here, the inferno where we live every day, that we form by being together. There are two ways to escape suffering it. The first is easy for many: accept the inferno and become such part of it that you can no longer see it. The second is risky and demands constant vigilance and apprehension: seek and learn to recognize who and what, in the midst of the inferno, are not inferno, then make them endure, give them space.

Leituras e viagens