Inaugurando o minimalismo

Janeiro trouxe dois desafios: um que falhou completamente e outro que foi um sucesso. O desafio que falhou completamente foi a tentativa de seguir um 30-day photo challenge no Instragram. O desafio que foi um sucesso está ligado à minha primeira ingressão no minimalismo.

Lembro-me que quando vim de Portugal trouxe quase toda a roupa que consegui. Claro que com o tempo as peças de roupa começaram a mostrar a passagem do tempo, algumas não se adaptavam à minha vida daqui (ou à minha idade), ou pura e simplesmente deixaram de me servir (os 2 anos e meio já trouxeram consigo alguns quilos a mais). Ao mesmo tempo, as peças que entretanto se tornaram as minhas favoritas pareciam sempre as mesmas e a tarefa de me vestir de manhã tornava-se um acto repetitivo.

Decidi então começar com uma experiência simples, que me permitisse perceber quanta roupa tenho, assim como o seu potencial. Assim sendo, no início de Janeiro decidi que ia experimentar conjuntos de roupa diferentes todos os dias durante 2 semanas. Depressa as 2 semanas pareceram pouco para tirar o máximo da experiência, e decidi alargar para 4 semanas.

Para aproveitar a onda, enchi dois sacos com roupa para doar e fiz questão de a entregar no início do mês (dois desafios ao mesmo tempo: eliminar a desarrumação cá de casa e simplificar o meu guarda-roupa – win).

Várias lições:

  • Tenho muito mais roupa do que pensava. Aliás, tenho roupa que ainda nem sequer tinha usado como deve ser. Claro que a primeira semana foi fácil: usei aquilo com que me sentia melhor e rapidamente esgotei as opções mais seguras. Ainda assim, a segunda semana foi igualmente simples, e as coisas só se começaram verdadeiramente a complicar na semana 3 e 4. Consegui uma visão clara das peças mais versáteis, da roupa com que me sinto melhor e aquela que tem pouco a ver comigo.
  • Tudo isto faz muito mais sentido nesta altura especifica da minha vida, em que trabalho num sítio mais descontraído, onde a roupa que uso no dia a dia em pouco difere do que uso no fim de semana. Há uns anos atrás, a roupa de trabalho era quase um uniforme, um conjunto de peças de roupa que usava apenas e só quando ia trabalhar. Agora claro que tenho uma ou duas peças mais elegantes, mas em geral consigo definir um estilo pessoal transversal às várias àreas da minha vida (sem contar com os domingo de pijama no sofá).
  • Este exercício serviu também para perceber que a manutenção da roupa tem uma grande influência na longevidade das minhas roupas favoritas. As que uso mais vezes eram lavadas semanalmente e não há tecido que resista a tanta lavagem.
  • Aquelas peças que muitas vezes comprei, com a intenção de dar mais cor ao meu guarda-roupa, com padrões mais arrojados ou coloridos, são na verdade uma dor de cabeça para quem quer simplificar ao máximo as escolhas. Os padrões são interessantes, mas penso que daqui para a frente vou escolher coisas mais simples, apostar em geral em padrões com duas cores, que se conjugam mais facilmente com os básicos que uso.

Depois desta pequena experiência, chega a altura de olhar para o futuro e perceber o que quero fazer com isto: comprar menos, peças mais versáteis e eliminar do meu armário as peças que são poluição visual.

Não quero necessariamente ter menos coisas ou ter um guarda-roupa em tons de preto, branco e cinzento, mas quero não ter aquela secção da gaveta do armário com roupa que não uso e não me agrada e que, ao mesmo tempo, me pesa na consciência cada vez que quero comprar algo novo.

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Inaugurando o minimalismo

2 pensamentos sobre “Inaugurando o minimalismo

  1. Lembro-me muitas vezes de discutir com o E. as maravilhas (ou não) do seu guarda roupa apenas em tons de azul, verde tropa e preto. Mas há cerca de 1ano ou 2 tb tive a epifania do “menos padrões, mais versatilidade”. Será esta uma etapa daquilo a que os crescidos chamam amadurecimento?

    1. Bem, não sei se serei capaz de algum dia atingir o minimalismo (frugalidade?) do E., mas quem sabe se este meu impulso não é também o resultados destes anos juntos? :-p Pode ser o amadurecimento próprio da idade, sim. Acima de tudo o aproveitar tudo o que temos, sem desperdício!

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