My Happiness project?

Acabei de ler esta semana um livro que tinha no meu kindle há algum tempo.

O livro chama-se “The Happiness Project” e logo que procurei as reviews no Goodreads, fiquei um pouco assustada com a perspectiva de o ler. Não que esperasse uma grande obra de literatura, na verdade um livro sobre a aventura de uma mulher a tentar ser mais feliz ao longo de um ano, parecia-me apenas uma leitura fácil, light e que servia bem o propósito de ser um intervalo entre outros livros (sem falar em ser um intervalo para as minhas costas, já que carregar o kindle dentro da mala é bem mais agradável do que carregar os livros que tenho na prateleira para ler).

Mas o que me assustou mais foi o tom das reviews. Basicamente aquilo que referiam era que a autora, sendo de classe média-alta, tendo um casamento feliz e filhos saudáveis, tendo uma boa vida profissional, não tinha legitimidade para escrever um livro sobre ser mais feliz. Mais: os exemplos que apresenta são classificados de superficiais e vazios, uma espécie de first world problems da procura da felicidade.

É claro que aquilo que achamos de um livro (como de um filme, uma peça de teatro ou concerto) depende muito das expectativas com que começamos. As minhas não eram altas, ao contrário das expectativas das outras pessoas que publicaram opiniões sobre o livro (uma até se queixa que a desilusão aumentou por ter comprado o hardback!), mas aquilo que me surpreendeu foi o assumir que quem não tem problemas graves (de saúde, desemprego, etc), não tem o direito a sentir-se insatisfeito com a sua vida e procurar mais felicidade no seu dia-a-dia.

Eu sou uma pessoa sem grandes problemas, e no entanto, como dizia à J. no outro dia, sou a rainha da insatisfação. Não faço por mal, provavelmente fui demasiado influenciada pelos filmes e séries, e pelo sonho de poder atingir os meus objectivos. Não é um mau referencial, mas o problema é que, salvo raras excepções, toda a gente que conheço muda de objectivos com alguma frequência. Para mim, procurar não explodir com tanta frequência, procurar ser mais simpático para as outras pessoas, gerir melhor as expectativas no ambiente profissional e arranjar tempo (numa sociedade em que nunca há tempo para fazer nada) é importantíssimo. Sim, não estamos perante grandes problemas da humanidade, mas por mais pequenos que sejam, são legítimos.

Eu gostei do livro (medianamente: dei 3 em 5 estrelas) porque foi divertido e falava de problemas que me interessam nesta altura específica da minha vida: tentar ter uma vida mais completa, menos ansiosa e frustrada. Dar valor ao que tenho, conscientemente, mas sem desistir de melhorar. Acima de tudo, ir tentando fazer coisas diferentes e tentar aprender todos os dias algo novo.

Claro que houve coisas que me pareceram demasiado americanas, demasiado new age ou simplesmente patetas. Além disso não teria paciência para fazer um projecto destes para mim (é um dos meus defeitos: a minha tendência para a satisfação imediata não se compadece com projectos de um ano. Talvez seja altura de mudar também isso…), mas a verdade é que, pelo segundo ano seguido tento fazer coisas novas sempre que posso e fiz disso uma resolução consciente, que tento cumprir sempre que posso.

Para falar em modos de auto-ajuda: a felicidade não está no destino, mas é um caminho. E é um caminho, pelo menos no meu caso, de crescimento e novidade.

Anúncios
My Happiness project?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s