Portugal pelos olhos dos outros

Há umas semanas o E. enviou-me este artigo.

Como todos os assuntos ligados a robots de cozinha me interessam, li o artigo e achei, em geral, que se tratava de uma análise interessante, ainda que superficial, sobre o poder social da Bimby (um pouco como se a máquina valesse mais do que as suas próprias funções, uma vez que representa a pertença a um grupo – os grupos de Bimby no Facebook, os fóruns, etc.). Fez-me lembrar algumas reportagens interessantes que costumava ler na revista do Expresso e do Público. Não é um artigo demasiado profundo ou demasiado crítico em relação ao tema, mas faz-nos pensar no que leva ao sucesso destas máquinas, seja porque as pessoas preferem agora comer em casa ou têm de fazer o almoço para o dia seguinte, e não querem perder muito tempo.

Eu não tenho uma Bimby e nunca iria comprar um robot de cozinha tão caro, mas tenho uma quantidade simpática de aparelhos de cozinha, que uso mais ou menos, consoante a paciência que tenho para cozinhar em cada dia.

Mas uns dias depois veio isto, que me lembrou disto.

Há qualquer coisa nos Portugueses que os faz ser extremamente defensivos em relação aos olhos estrangeiros. Nada que eu possa criticar, na verdade às vezes sinto que sou a rainha dos comportamentos defensivos, mas não tenho muito jeito para a perspectiva do coitadinho.

Vivendo no estrangeiro e lidando com outros portugueses, é fácil perceber que este impulso inicial para a teoria da conspiração é algo que nos é natural. Provavelmente é natural a qualquer pessoa que se sente, por uma ou outra razão, mais fraca que as demais, ainda que esse sentimento não tenha justificação. Mas há situações em que, por algo ser lost in translation, esta reacção tem algum sentido, e há outras em que o ataque por defesa é completamente desproporcionado.

Quem conseguir ler ambos os artigos com o mínimo de imparcialidade, percebe que não há uma crítica velada ao português enquanto tal. Se a Bimby “vende mais do que os últimos iPads em Portugal e é mais popular no Facebook do que a banda de rock mais conhecida do país”, isso será tão válido quando escrito pelo Público ou pelo WSJ.

Perder tempo a classificar estes artigos como críticas fáceis e injustas a Portugal é perder o essencial da mensagem. Aquilo que deve ser discutido está atrás das linhas gerais e atrás do pano de fundo do exemplo, e começo a suspeitar que os que chamam a atenção para o acessório não querem que se pense no principal.

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