A apologia dos introvertidos

Há umas semanas atrás, ao ler um artigo online, fui parar a este vídeo do TED. Hoje veio um artigo no Público sobre o mesmo assunto. Antes de dizer o que quer que seja, devo fazer uma declaração de intenções: eu sou uma introvertida. Desde cedo percebi isso e, em algumas alturas da minha vida, esta característica foi (e ainda é, por vezes) acompanhada por alguns laivos de timidez.

Durante muito tempo achei que algo estava errado comigo. Porque é que preferia, por exemplo, assegurar previamente que podia sair de um evento sozinha, e à hora que me apetecesse, quando toda a gente parecia tão animada pela vertente social? Mas com o passar da adolescência, a fase do “mas o que é que eu faço de errado?” passou.

Profissionalmente, esta característica ajudou-me bastante a desenvolver a minha capacidade de concentração, mas por outro lado o factor fixe – aquele que implica um pouco de networking – não estava lá. Recentemente, ao trabalhar com uma pessoa radicalmente extrovertida, a minha maneira de ser foi muitas vezes classificada como demasiado cautelosa, pouco arriscada ou demasiado reservada.

Tendencialmente recuso-me a participar em discussões em que sinta que me estou a justificar, o que fez com que raramente tenha argumentado que o facto de a minha personalidade e maneira de trabalhar ser desta forma, faz-me trabalhar eficientemente e com poucos erros. Como falo pouco, oiço bastante e raramente penso ou concluo que um bom trabalho é resultado da minha actuação, preferindo valorizar o trabalho da equipa. É díficil explicar que para funcionar a 100%, às vezes preciso do silêncio e da solidão, mas que isso não significa que não goste de estar com as pessoas.

A estimulação das duas formas de trabalhar e viver (a introvertida e a extrovertida) dependem mais de quem gere uma equipa do que das pessoas envolvidas. Pela minha parte, sempre adorei trabalhar com ambas as personalidades: os extrovertidos estimulam a minha imaginação e surpreendem-me com os desafios que põem, e os introvertidos trabalham como eu… De todos os sítios levo comigo relações importantes que devo ao facto de ser como sou: as pessoas tendem a confiar mais nas pessoas mais caladas.

Hoje em dia sinto que tenho pouco a provar, mas a nível pessoal ainda me questiono se não estaria agora num sítio completamente diferente na minha vida se a minha personalidade fosse mais social. Acho que poucas dúvidas restam de que a sociedade actual favorece os extrovertidos, veja-se a euforia da partilha da vida pessoal nos social media… Resta saber se esta nova apologia dos introvertidos desperta a abertura a outras formas de ser e de pensar.

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