Entrevistas no estrangeiro

Esta semana ainda não terminou e já posso dizer que foi marcada por entrevistas de emprego. Uma delas já na fase final, e a outra a começar o processo. Na verdade, o meu coração pende para a segunda, mas isso é assunto para outro post.

Aquilo que queria descrever hoje é a diferença entre ir a uma entrevista em Portugal e na Suiça. Felizmente, desde que acabei a faculdade posso dizer que fui a várias entrevistas e em diversas circunstâncias: à procura do primeiro emprego, já empregada fui a várias entrevistas com vista a mudar de emprego e finalmente no estrangeiro também já tive a minha quota parte de entrevistas. E destas experiências, há algumas diferenças que saltam à vista.

A entrevista estruturada

Em Portugal nunca senti que fosse dada muita importância à entrevista estruturada, enquanto aqui se nota muito mais essa tendência nos HR.

Normalmente, em Portugal as perguntas normais neste tipo de entrevista (por exemplo, contar uma situação em que tivesse ficado orgulhosa/envergonhada de um trabalho, quais os meus defeitos e qualidades, como me imagino daqui a x anos…) vinham no final da entrevista e pareciam mais para encher o tempo que restava do que para avaliar a personalidade do candidato.

Penso que, em Portugal, a única situação em que encontrei aquilo que encontro aqui em termos de organização deste tipo de perguntas, foi numa empresa de recrutamento, e felizmente numa situação em que me correu bastante bem.

Desde que descobri esta forma de entrevistar, investiguei online aquilo que se pretendia (e não as respostas, porque aquilo que aprendemos logo no início é que não há respostas certas). Se procurarmos um pouco e lermos alguns exemplos, facilmente conseguimos identificar o que se pretende quando nos fazem uma pergunta deste género e chegamos à conclusão que mais vale ser sincero do que inventar.

Estamos perante uma pessoa que vai lidar connosco diariamente… se mentirmos ou inventarmos, quem vai sair prejudicado somos nós. Mas isto não quer dizer que não se aproveite as experiências que temos do passado para as adaptar aos exemplos que nos pedem para dar. O importante é ter uma noção abstracta mas também analítica daquilo que já fizemos em ambiente profissional, e valorizar estas experiências no presente.

As perguntas pessoais

Perguntas pessoais ou ideias pré-concebidas sobre o que cada um pode ou consegue fazer, não existem. Tudo tem a ver com competências, experiências passadas e can-do atitude.

Devo admitir que mesmo em Portugal, a maioria das experiências que tive não envolveram perguntas pessoais. Houve excepções: quando procurava o primeiro emprego houve alguns escritórios de advogados proeminentes que decidiram fazer comentários sobre escolhas de cadeiras, outros potenciais empregadores ou experiências no estrangeiro durante a faculdade, tudo porque não se enquadrava naquilo que entendiam ser o caminho normal de um jurista.

Também na última entrevista em Portugal deparei-me com perguntas de ordem pessoal que pouco ou nenhum impacto tinham no trabalho que viria a desenvolver. Isso diz mais sobre as pessoas que temos à frente do que gostamos de pensar, pelo menos no momento em que pensamos estar verdadeiramente interessados naquela oportunidade.

A valorização do candidato

Talvez aquilo que mais me surpreendeu aqui foi a valorização do candidato. Quando tudo corre bem, no final da entrevista o responsável normalmente pedirá ao candidato que pense naquilo que foi discutido e que confirme no dia seguinte se a posição corresponde às suas expectativas.

Para alguém que vem de um país onde a atitude do empregador é muitas vezes a de estar a fazer um favor ao entrevistado, isto não deixa de ser estranho. Para mais, quem vem de um país onde a taxa de desemprego é elevada, está habituado a confirmar e sublinhar que está mesmo interessado ao longo da entrevista, e não depois.

No entanto, faz algum sentido. A entrevista é um local onde ambos os lados se estão a descobrir. Não é possível tomar uma decisão ponderada no mesmo momento em que estamos a absorver tudo o que de novo de passa à nossa volta.

 

Tem sido uma experiência cansativa, mas  agradável. Nunca me senti pressionada ou subvalorizada, algo que temia porque afinal os Suiços têm já uma ideia feita de Portugal, devido à quantidade de emigrantes que chegaram nos anos anteriores, e continuam a chegar todos os meses. Mas sobretudo, para mim, é importante começar aqui mostrando como sou e sentindo-me à vontade com as pessoas com quem posso vir a trabalhar.

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