Emigrações

Limmatquai | Zurique 2012

A propósito dos posts anteriores, surgem notícias como esta. Parece que não estamos sozinhos, nem na escolha de sair, nem na escolha do destino.

Claro que na sequência destas notícias vem logo uma série de generalizações, das quais eu seria igualmente vítima, caso não me encontrasse na fase em que estou.

No entanto,  e em defesa dos novos emigrantes (ou, pelo menos, do tipo de emigrantes em que me insiro) penso que há que ter em conta os seguintes dados:

  • A emigração de que se fala hoje em dia não é a mesma de há 50 anos atrás. Pondo de lado a questão da educação e do tipo de trabalho que é oferecido aos novos emigrantes, a verdade é que a emigração é realizada actualmente num contexto mais geral de “expatriados” (apesar de, no nosso caso, a deslocação não ter limite temporal). Principalmente no que diz respeito a Zurique, encontramos trabalhadores de todas as nacionalidades que, por um período limitado de tempo, para aí vão desempenhar funções numa multinacional que, por um lado, aproveita a especialização da mão-de-obra e, por outro, paga menos a um expatriado do que a um nacional (ok, neste sentido a nova emigração é em tudo semelhante à antiga).
  • Penso que outra característica diferente tem a ver com a atitude de quem vai. Hoje em dia as mentalidades são diferentes. Enquanto há 50 anos atrás os emigrante eram-no contrariados e faziam-no sempre com a perspectiva de voltar, hoje em dia a maioria das pessoas que sai quer viver a experiência de adaptação a novos mundos. Já não saímos para ter uma vida melhor cá, saímos para ter uma vida diferente lá.
  • Não há volta a dar: os ordenados são mais elevados. Os profetas da desgraça dizem que os custos de vida são mais elevados também. Sim, são. Mas basta fazer uma simples conta de taxa de esforço e percebemos que a percentagem do ordenado que vai para coisas como habitação e alimentação é menor que em Portugal. Existem outras despesas que não temos cá, como seguros de saúde obrigatórios, mas afinal não é para esse mesmo sistema que estamos a caminhar actualmente?

Claro que existem outros factores mais transversais. Continuo a achar que o ser humano é mais tolerante quando está fora do seu país, daí que consigamos cumprir as regras sem nos queixarmos no exterior. No entanto, já estou como diz o E.: prefiro viver num país liberal assumido, que num país liberal disfarçado de modelo social.

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