Vamos rabujar para outra freguesia

Depois de uma pequena pausa para digerir tudo o que nos tem vindo a acontecer, há novidades.

A nossa vontade de sair não é novidade. Novidade é ter acontecido tão cedo e desta forma.

Apesar de não estarmos desempregados nem em situação de urgência, já há algum tempo que tínhamos decidido que ter uma experiência lá fora, e voltar (ou não), era algo que queríamos fazer antes de fecharmos a loja e assentarmos.  O problema era arranjar algo aliciante para fazer num país estrangeiro que justificasse o risco de deixar tudo e ir à aventura.

Encontrámos aquilo que procurávamos há 2 meses atrás, num país que não estávamos à espera que fosse nosso anfitrião.

Entre diálogos trocados, mais ou menos esotéricos, com as respectivas embaixadas e serviços públicos, temos muito que alimente a nossa rabugice. Mas o que me trás aqui hoje não são as estórias que irão alimentar este blog nos próximos tempos, mas sim a reacção dos que aqui ficam.

Tirando a tristeza dos familiares e amigos próximos, normal pela perspectiva de distância, não me consigo deixar de surpreender com as restantes reacções, as quais suscitam os comentários que deixo aqui:

  1. Tenho percebido que a reacção dos que nos rodeiam de forma menos próxima é mais influenciada pelo que passaram na vida e pela coragem que tiveram (ou não) de perseguir algo, do que propriamente pela preocupação com a nossa situação. Vejo os olhares de terror/admiração  e não me reconheço na reacção. Sinto que a nossa atitude os transporta para momentos de escolha na sua própria vida. Acho isto normal, eu já estive do outro lado e sei o que é.
  2. Gosto de pessoas que mentem bem. Sinto muitas vezes a apreensão das outras pessoas em relação à nossa escolha e prefiro as que mentem bem e conseguem aguentar um diálogo dizendo “vais adorar, é uma nova experiência, vais para um país melhor e vais viver melhor“. Podem pensar o contrário, mas têm o bom gosto de não o dizer. Viver é perigoso para a vida: todos os envolvidos sabem que as coisas podem correr mal, que a adaptação pode demorar muito, que haverá frustração e longos caminhos a percorrer. Mas o que de bom vem ao mundo em dizer às pessoas envolvidas (e que tomaram uma decisão muito difícil) que as coisas podem correr mal?
  3. Por outro lado, irrita-me pessoas que dizem “tantas pessoas no desemprego, que davam tudo para ter o teu emprego, e tu vais embora?“. Eu não tenho de carregar nos meus ombros o peso de algo que  não depende de mim. Como se houvesse um dever moral para com os milhares de desempregados neste país de ficar num emprego, como se a minha atitude os ofendesse e os estivesse a menosprezar. Eu não tenho de me sentir culpada, nem de ter um emprego, nem de o deixar.
  4. E se correr mal? Se correr mal, levantamo-nos. Como diz o E.: o que é correr mal? Já fomos crianças e adolescentes. Já trabalhámos em sítios diferentes e tudo o que temos fomos nós que o conseguimos: casa, trabalho, coisas. Não há correr mal, há avançar.

Et c’est ça… daqui a nada começam as estórias sobre os obstáculos burocráticos que já encontrámos e que ainda nos esperam!

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