Como estragar uma boulangerie…

Nada me custa tanto como me ver obrigada a criticar um local quando não tenho um ponto a dizer de mal da comida.

Nestes últimos tempos rendemos-nos aos brunch e aos pequenos almoços tardios. Entre um dos locais de eleição, por estar tão perto de casa, era a La Boulangerie by Stef. Tinha tudo para dar certo… pão caseiro e variado, pan au chocolat com chocolate belga e um brunch variado e completo, não muito caro.

As primeiras visitas foram um bocado caóticas. Atribuímos esse facto a estarem no começo, a ser apenas uma pessoa a servir e a atender as mesas e a preparar os pedidos. Era normal alguma demora.

A coisa começou a ficar estranha quando, um dia, decidimos que poderíamos dividir um brunch e pedir mais pão, mais uma bebida e pan au chocolat, pagando a diferença claro. Face a este pedido, notamos algum desconforto. Achámos estranho, mas arranjamos uma forma de ultrapassar a questão.

Voltámos lá um outro dia, no qual fomos introduzidos a novas personagens: empregados pouco independentes, como se tivessem medo de aceitar o nosso pedido sem uma “confirmação superior”.

Hoje, no entanto, foi a derradeira prova de que já não é defeito, é feitio. Queríamos apenas tomar o pequeno almoço, mas ao pedido relativamente simples (e que já nos havia sido concedido, duas semanas antes) de duas torradas, fomos informados que não faziam torradas (!) e que estavam a funcionar em modo brunch.

Explicámos que não estavamos interessados no brunch e que já nos tinham servido um cesto de pão antes. A empregada, sempre muito insegura, foi confirmar. Afinal sempre havia cestos de pão (mea culpa, não lhe chamam torrada… pensámos).

Ignorando desde já o tempo imenso que esperámos pelo nosso pedido (isto porque a coisa iria piorar, mas não sabíamos ainda), não deixámos de notar no casal que estava na mesa do lado. Tinham pedido um único brunch que estavam a dividir (algo que era impossível), mas (meu deus!) queriam mais um cesto de pão. Este (aparentemente) simples pedido gerou a maior confusão entre a empregada e respectiva chefe… E antes de servir um simples cesto de pão, houve a necessidade de vir avisar que este seria pago à parte… É claro que a reacção do casal da mesa ao lado, ainda que não literalmente esta, passou por um “queremos lá saber… queremos é o cesto com pão”.

No final, como habitual, acabámos com dois pan au chocolat que, embora já feitos e em cima da bancada, demoraram demasiado tempo a chegar à mesa. Por fim, e recordemos que se trata de uma boulangerie, pedi um pão dos que estavam em exposição para levar (tal como já tinha feito por diversas vezes). A resposta foi surpreendente: não podiam vender para fora hoje (subentendeu-se que não teriam o suficiente para os pedidos do dia).

E assim se jura para nunca mais. Até posso compreender que não tivessem pão suficiente (de determinada qualidade), mas daí a recusarem uma venda é algo que me surpreende. E a constante preocupação com o dinheiro e o custo extra em relação aos menus brunch é algo com que nunca me tinha deparado. É óbvio que alguém que pede algo fora do menu está à espera de pagar a diferença, e mesmo que não esteja, não seria papel da anfitriã proporcionar a melhor experiência possível aos seus clientes enquanto eles estão a desfrutar da sua refeição e, sei lá, falar do preço depois e não quando as pessoas estão à espera da comida?

Tenho pena. Os produtos são do melhor, mas pensar em ir lá causa-me stress e arrisco-me a não me quererem vender pão novamente.

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