“Queria o livro de reclamações, por favor”

Na semana passada tivemos a pior experiência em restaurante dos últimos tempos. Fomos ao Lábios de Mosto, celebrar a visita de uma amiga que se encontra a fazer mestrado em Nova Iorque.

No caminho, e porque não sabíamos onde ficava, recorremos ao Googlemaps. Logo aí percebemos que iria ser uma experiência interessante, já que a classificação do restaurante era de 2 estrelas, e as críticas mencionavam, com frequência, a (má) atitude dos empregados face a jantares de grupo.

Chegámos, e fomos directos ao nosso lugar (apertado, por sinal, mas nada que nos incomodasse por aí além), começando a refeição. O menú era € 17,90 e incluía: couvert, entrada, aperitivo, prato (eu escolhi bacalhau, o E. escolheu lombo), sobremesa (tarte de maçã) e bebida à descrição.

O couvert foi agradável e passámos logo à entrada: cogumelos gratinados. Achei estranho os cogumelos serem de lata, lascados, e não cogumenlos normais, além do prato ter por cima molho de soja, o qual achei desnecessário. Ainda assim, era apenas entrada e estavamos com fome. Aperitivo, nem vê-lo.

Depois chegou o prato principal e a coisa piorou consideravelmente. O bacalhau é sempre bacalhau: era no forno, uma espécie de bacalhau com natas, mas com espinafres e sempre com o irritante molho de soja por cima. Mas o pior foi mesmo o lombo: duas fatias de carne assada, seca, cobertas com uma folha de massa folhada e regada com molho de farinheira. Gostos à parte, porque é legítimo que as pessoas não gostem do molho ou achem a massa folhada demasiado enjoativa, vendo que nem a carne estava comestível, aconselhei o E. a devolver o prato e pedir uma alternativa.

No entanto, face à devolução do prato, os 3 empregados que eram responsáveis pela nossa mesa tiveram reacções semelhantes: primeiro discutiram se o prato estava efectivamente mal cozinhado ou se a culpa era do cliente (ao que outra pessoa do grupo se viu obrigada a intervir, dizendo que, apesar de estar a comer, não podia dizer que o lombo estivesse bom), segundo a oferecer como única alternativa o bacalhau, dizendo que era “o que estava estipulado”. Depois destas reacções, o E. decidiu que não ia comer mais nada e apenas queria o livro de reclamações no final da refeição dos demais. De referir que toda a esta discussão decorria à frente de toda a gente, sem qualquer esforço para acalmar a situação ou ser discreto.

Até que, finalmente, chegou a dona do restaurante. Fez questão que o E. comesse algo e pediu desculpa pelo sucedido. Graças a esta atitude, o E. lá aceitou nova tentativa na comida, ainda que se tenha revelado uma má escolha, já que os bifes de porco preto vieram sem tempero nenhum e as batatas frias.

A refeição terminou com a tarte de maçã, uma fatia mínima, que foi compensada com o facto de o E. não gostar de tarte de maçã, tendo sobrado mais para eu comer. Ainda assim, saímos com a promessa de não voltar e de espalhar a notícia o máximo que conseguimos. Acredito que uma noite não faz um restaurante, e que azares acontecem, e se estivessemos só a falar da má confecção da comida, acreditaria. No entanto, a atitude do pessoal da casa faz um restaurante, e para isso basta uma noite.

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