Esta vida de senhoria (já) está a dar cabo de mim

Em Setembro o assunto do arrendamento da minha casa tinha ficado na escolha do casal que mereceu a nossa concordância. Esta frase pode parecer pretenciosa, no entanto, o arrendamento da minha casa não foi feito de ânimo leve, pelo menos pela minha parte. Isto de meter alguém em nossa casa, com um contrato de, em princípio, cinco anos, não é coisa fácil.

Como os inquilinos não tinham pressa, e eu tinha acumulado muita coisa lá em casa, que acabei por não trazer para a casa nova por se tratarem de coisas que não usava com frequência, acordamos que entrariam apenas no início de Novembro. Pensei eu que teria imenso tempo (um mês) para as mudanças. Claro que a realidade é sempre bem diferente e acabei a encher sacos com livros, roupa e loiça, à última da hora, alguns dos quais se mantêm na traseira do carro do E.

Quis a sorte que a entrega das chaves tenha coincidido com uma reunião de condomínio do prédio, coisa a que eu já não ia há cerca de um ano. Para não variar num condomínio português, há neste momento uma dívida de valor considerável por parte de um proprietário a quem pertencem três casas.

Para esta situação tem contribuído (diria aliás que sempre contribuiu) o facto de este ser pai do construtor do edifício, o que tem como consequência a ausência nas reuniões de condomínio e a falta de pagamento das quotas, coisas que acontece desde a sua constituição. Poderíamos estar perante mais um devedor da sociedade, não fosse o facto de precisarmos de fazer obras de conservação e não termos dinheiro no fundo do reserva, o que implica a emissão de quotas extraordinárias, coisa que se resolveria facilmente com o pagamento por parte daquele senhor…

Claro que já decidimos executar a dívida, mas isso parece dar mais trabalho do que seria de esperar, tendo em conta que não há grande coisa a discutir numa dívida ao condomínio, mas considerando a minha odisseia na recuperação da maçaneta da nossa porta, já nada me surpreende.

Para acabar em beleza, os inquilinos ligaram ontem à noite, já que o exaustor da cozinha estava a deitar um pouco de água. Não queria acreditar, apesar de eles estarem mais ou menos descontraídos, ficaram apenas preocupados. Nunca tinha acontecido, mas tendo em conta que ontem choveu bastante e durante todo o dia, vou ter de esperar e ver se acontece novamente. É um exercício difícil, o equilíbrio entre a preocupação com as condições da casa e a natural desdramatização: para isto ajuda bastante ser inquilina e senhoria ao mesmo tempo. Infiltrações em casas antigas e em tempo de muita chuva são relativamente normais, é tudo uma questão de avaliação da situação em causa.

Vivendo e aprendendo.

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