A maçaneta da porta #2

(a continuação do insustentável peso da burocracia)

Ponto de partida: eu e o E. fomos apresentar queixa à polícia por vandalismo aos nossos carros, e fomos informados pelo agente que registou a nossa queixa que haviam sido apreendidas diversas maçanetas de portas quando o grupo responsável pelos assaltos foi apanhado em flagrante.

Para tentar recuperar algo que, à primeira vista, pode não ter grande valor monetário, mas que na prática nos faz muita falta, ficámos com a indicação do número de processo e que deveríamos contactar o Tribunal no Campus da Justiça (sim, assim no geral).

Primeira tentativa: o E. liga para o número de secretaria geral e pergunta qual o Tribunal que poderia contactar com vista a resolver o assunto. Perguntaram-lhe o número do processo, para de seguida lhe dizerem que deve haver algo de errado, já que o número indicado não era válido. Eu estava ali ao lado e pareceu-me logo que algo estava errado, já que o número de que dispunhamos tinha uma forma que me era familiar. No entanto, deixei passar. Acho, em geral, que tentar resolver mal entendidos por telefone não é muito produtivo.

Após uma segunda tentativa infrutífera, ao vivo (muito devido à hora da visita), um dia em que pensei que estava com vontade para enfrentar a máquina burocrática, decidi tentar resolver a situação.

Peguei no telefone e liguei novamente para o número geral. Disse o número de processo e passaram-me ao Ministério Público. Voltei a contar a história, que tinha sabido do número de processo associado à apreensão de uma série de maçanetas de porta, que queria saber se entre as maçanetas apreendidas estava a minha, e como poderia proceder com vista a recuperar a maçaneta, caso se confirmasse que era a minha. Do outro lado disseram-me que tinha de ligar para o DIAP, para saber em que secção estava o processo.

De novo com o site dos contactos d os Tribunais do Campus da Justiça à frente, liguei primeiro para o número geral. Aqui as coisas começaram a ser menos pacíficas. Atendeu-me uma senhora, mas parecia que estavam 20 pessoas do outro lado. Quando eu começava a falar, ouvia conversas do lado de lá. Até que, à terceira vez de ter perguntado “desculpe, está a ouvir-me?”, recebo um ríspido “mas afinal o que é que pretende?”, tentei ignorar o tom e respondi simplesmente que queria recuperar a minha maçaneta que havia sido apreendida. Nem sequer tive direito a resposta, fui directamente para chamada em espera.

E agora, contexto: por esta altura eu já tinha contado a mesma história 3 vezes. Estava a ficar frustrada porque ainda não tinha percebido quais os elementos que eram relevantes para que eles, do outro lado, me pudessem ajudar. Não sabia, no fundo, se devia continuar a contar a história do princípio ou se deveria passar logo para o meu objectivo.

Atenderam a chamada. Começei com a lenga-lenga: “A minha maçaneta da porta foi roubada…”, e do outro lado respondem: “Foi roubada ou foi furtada? É que roubada foi com violência e furtada foi sem dar por isso”. Detive-me um pouco sobre o conceito de roubo de maçaneta da porta com violência, e vencida pelo cansaço de todo este episódio (já iamos com mais de 20 minutos ao telefone) lá respondi que tinha sido sem dar conta e que apenas queria saber qual a secção que deveria contactar para a recuperar. Dei o número de processo e obtive finalmente a informação de que precisava.

E agora as más notícias (ou os capítulos seguintes): para recuperar o bem apreendido terei de enviar um requerimento por carta à Procuradora responsável pelo caso, com fotografias que comprovem que é a minha maçaneta e esperar.

E entretanto, as queixas apresentadas tiveram este fim:

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