A gota de água que fez transbordar o copo

Tenho vindo a reflectir sobre a falta de bom senso que se faz sentir nos serviços portugueses, algo que culminou numa situação um pouco descontrolada ocorrida há uns dias, da qual não me consigo deixar de arrepender.

Em geral, tenho sido alvo de respostas por parte de pessoas que se dedicam ao atendimento ao público em diversos serviços que utilizo (seja nos Tribunais e Polícia, seja nos serviços mais triviais, como os Correios e a Zon) que me deixam quase sem resposta. Normalmente apresento um problema e do outro lado não consigo qualquer reacção humana ou pragmática, limitando-se o meu interlocutor a confirmar a impossibilidade de me resolver a questão, assumindo, em regra, a forma mais coloquial de “não tenho ordens para isso/a política da empresa não o permite”.

Todas estas situações levaram a uma perda gradual da paciência para respostas deste género. Até que transbordou. A gota que água que fez transbordar o copo aconteceu no passado dia 1 de Outubro. Íamos nós apanhar o metro da Avenida para o Saldanha, quando tivemos algumas dificuldades com a máquina de carregamento dos cartões Lisboa Sete Colinas. Ora reconhecia o cartão, ora não reconhecia e devolvia o dinheiro do carregamento.

Estando uma senhora no atendimento, dirigimo-nos a ela para ver se conseguíamos carregar o cartão mais rapidamente. Face ao nosso problema, a senhora olha de relance para o meu cartão e diz “Está danificado”. Respondi que não estava danificado, tinha uma dobra inerente ao uso frequente do cartão (feito de material frágil), mas que até ali não tinha tido qualquer dificuldade quer no seu carregamento quer no funcionamento. A resposta foi: “segundo a política da empresa, o seu cartão está danificado”.

Admito, nessa altura estava completamente lixada com aquela situação. Peguei no cartão e dirigi-me à máquina. Consegui efectuar o carregamento e entrei no átrio do metro. Eis que a senhora sai da cabine e explodi. Disse-lhe, sem a deixar falar, que se fosse para ter uma reacção digna de uma máquina, não precisava de pessoas atrás do balcão.

A conversa evoluiu depois (graças ao E.) para a relação com o cliente e a viabilidade de um cartão como o Lisboa Sete Colinas, feito de material frágil quando deveria durar um ano. No entanto, não consegui deixar de me arrepender de ter falado de forma mais exaltada com aquela senhora.

Por um lado, e apesar de tudo, acho que é preciso um abanão de vez em quando: perceber que não podemos esconder-nos por detrás das ordens que nos dão, seja em que circunstância for. A coisa mais importante que temos é o sentido crítico e o bom senso. Por outro lado não consigo deixar de pensar que aquela senhora foi apenas e só, a representação de todas as pessoas que me tinham respondido daquela forma.

Anúncios
A gota de água que fez transbordar o copo

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s