Senhorios e inquilinos

Provavelmente nunca me tinha imaginado no papel de senhoria. O mais natural e lógico seria ser inquilina (como acabo também por ser), mas circunstâncias da vida e investimentos feitos no passado trazem-me a este lugar…

E, no entanto, nada do que eu pudesse imaginar me teria preparado para o que aconteceu esta semana, nos dias imediatamente seguintes à publicação de meia dúzia de anúncios que publicitavam a minha casa, a um preço, a meu ver, equilibrado.

No próprio dia da publicação, já tinhamos um conjunto de pedidos de visita que nos animou. Nos dias seguintes, os pedidos multiplicaram-se e tornou-se claro que guardar todas as visitas apenas para um dia seria impossível. Começamos então a marcar para o final dos dias, durante a semana.

Ora, uma das primeiras lições que aprendemos é: nem todos os que contactam com urgência para uma visita aparecem a horas, ou, pior, aparecem sequer… Admito que tenho muito pouca tolerância para atrasos nestas situações, quanto mais para ausências sem uma palavra sequer. Acho que quem não tem responsabilidade para assumir ou cancelar os seus compromissos, não apresenta uma boa imagem de si próprio.

Adiante. De 19 visitas agendadas, compareceram 8, sendo que apenas um deles disse logo que não estava interessado.

Em geral as pessoas gostam que a casa esteja mobilada e equipada. Consigo perceber porquê. A casa era sobretudo procurada enquanto apoio para a profissão, estando a pessoa ausente ao fim de semana para visitar a família. Daí que a perspectiva de ter de mobilar uma casa, gastando ainda mais dinheiro, não pareça muito atractiva.

Outra lição bem aprendida tem a ver com o delay em relação às visitas. Pensámos em publicar o anúncio, esperar para ver quantas pessoas poderiam estar interessadas, marcar visitas para sábado e decidir no domingo. As pessoas tendem a aparecer menos se a visita for marcada com maior antecedência. Podemos afirmar, como resultado desta experiência, que os que estavam realmente interessados, tentaram marcar a visita para o mais cedo possível e não hesitavam: diziam de imediato que estavam interessados na casa.

A nossa tentativa de agirmos de forma justa para todos os envolvidos acabou por nos custar a certeza de alguns dos interessados: face à nossa disponibilidade de decidir apenas 4 dias depois, houve quem continuasse à procura.

Por outro lado, recebemos elogios em relação à nossa escolha de ouvir todos os visitantes antes de decidir alguma coisa. Queixavam-se que muitas vezes, aquando da visita, o imóvel já se encontrava reservado. Do nosso ponto de vista, aquilo que fizemos estava correcto, mas não tenho a certeza que o faça novamente. Compreendo que quem procura casa não possa ficar à espera que o futuro senhorio se decida, mas perder potenciais inquilinos interessantes, muitas vezes para assegurar visitas muito pouco interessantes, não me parece que compense.

No final, mantiveram-se alguns interessados e multiplicam-se ainda pedidos de novas visitas. Amanhã é dia para rever o contrato com o casal que entendemos ser o mais adequado e aquele que nos transmitiu confiança. Ainda é cedo para dizer que a aventura terminou.

Escrevo esta rabujice pensando nos posts que já li sobre o outro lado: o inquilino. É fácil cair em lugares comuns e pensar que fazemos ideia de quem está à nossa frente. Da minha parte, era apenas uma proprietária de um imóvel vazio em Lisboa. Tentei fazer o meu melhor e, pelo caminho, percebi que não é fácil ter uma casa para arrendar.

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